Sveta, Katya e as outras
21.09.2026

Sveta, Katya e as outras Por Marta Serafini

Imagem de ativistas do grupo feminista ucraniano Femen, 2008. No cartaz: «O sexo não é uma mercadoria» (Sex ne tovar).

 

«Antes de 2022, eu me prostituía em São Petersburgo. Foi lá que me tornei dependente de metanfetamina. Depois voltei para Zaporizhzhia e agora trabalho com os soldados.» Sveta tem 36 anos. Seus dentes foram destruídos pela droga e ela se desespera por uma dose. «Olha, está vendo, praticamente não tenho mais dentes»: abre a boca num sorriso fingido. A guerra, na Ucrânia, não destruiu apenas cidades. Mudou o valor dos corpos, seu preço, sua exposição. Além de ferir e matar, modificou o mercado do sexo, a geografia da dependência, a maneira como um vírus como o HIV assola a sociedade.

Sveta continua a explicar num tom monocórdio. «Eles nos levam para o front em vans. Pegam a gente, nos trancam nos barracões e ficamos lá. Os soldados chegam, entram, saem. É assim que funciona.» Depois acrescenta: «Eles estão mais violentos do que antes. Dá para ver que estão ficando cada vez mais duros. Você olha para eles e percebe na hora. O jeito de tocar, de falar, de olhar para você não era assim antes.» E ainda: «Lá fora ficam os seguranças. Ficam na frente dos barracões. Estão ali para que ninguém faça confusão antes de entrar, ninguém fuja, ninguém destrua tudo.»

É a prostituição em tempos de guerra, com sua nova organização, com suas redes criminosas que rapidamente se adaptaram ao cenário. É quase uma inversão da antiga economia do sexo na Ucrânia pós-soviética. A guerra não eliminou o mercado da sobrevivência; apenas mudou suas regras. «Muitas são mandadas para trabalhar pelos companheiros; muitas são viúvas e não sabem como alimentar os filhos.»

Sveta conta seu passado russo como se pertencesse a outro século. «Em Petersburgo, era todo um outro circuito. Havia mais dinheiro, mais homens, mais movimento. Havia também mais ferocidade: uma de nós desapareceu por vários dias naquela época e voltou coberta de hematomas, em frangalhos.» Mas aquele mundo, por mais feroz que fosse, oferecia uma mobilidade desregrada, porém real: a Rússia, a Ucrânia, as grandes cidades, os clientes de passagem, os limites a atravessar. Agora a geografia se fechou. O horizonte já não é a circulação, mas a guerra. E, num espaço mais restrito, o vírus se move mais rapidamente. Sveta diz estar «limpa», fazer os exames. Mas é difícil acreditar nela enquanto coça o braço coberto de lesões.

«Muitas mulheres vêm até nós e dizem que contraíram HIV sem saber como», explica Olena Makaia, da Positive Women, uma ONG de Zaporizhzhia que presta assistência a Sveta. O front não fica no front. Volta para dentro das casas, das camas, dos casais, da saúde doméstica. A guerra, mesmo quando se afasta geograficamente, continua agindo nos corpos. Não traz consigo apenas traumas, dependências, agressividade; traz uma exposição diferente ao risco. Com Olena, ao telefone, está Katya, que foi para a Alemanha. Ela também se prostituía. Ela também usava drogas. Agora diz estar melhor. Fala depressa, quase com desconfiança, como alguém que ainda não decidiu se a nova vida é realmente uma vida nova ou apenas uma trégua. «Lá eu já não conseguia parar. Parecia que não havia nada além daquela vida. Agora pelo menos como, durmo, trabalho um pouco. Estou melhor, sim. Muito melhor.»

Olena sorri. Para cada mil Svetas que ela não consegue salvar, há uma Katya que talvez não morra de Aids. «Mas já é alguma coisa.» Segundo uma análise publicada pela ONG Legalife-Ukraine, em 2022, primeiro ano da guerra, o PIB ucraniano despencou 29,2%, a taxa de pobreza subiu de 5,5% para 24,2%, e outras 7,1 milhões de pessoas caíram na pobreza. O desemprego, no fim daquele ano, havia chegado a 35%. Segundo a Legalife, 71,5% das trabalhadoras sexuais entrevistadas em abril de 2022 não haviam deixado de trabalhar depois do início da invasão. Entre 2022 e 2023, além disso, entre 9,5% e 11% das entrevistadas declaravam ter começado a se prostituir depois do início da guerra. Quase todas descreviam condições piores e rendimentos em queda. Em 2023, 98% relatavam uma piora acentuada de sua situação financeira, enquanto, nas famílias das trabalhadoras sexuais, a renda média havia diminuído entre 25% e 50%.

A guerra, além dos bombardeios, trouxe toque de recolher, alertas aéreos, transportes interrompidos, trabalho noturno mais difícil de organizar, ruas perigosas. Antes de 2022, muitas mulheres procuravam clientes individualmente, sobretudo à noite e de madrugada. Com os ataques, as sirenes e o toque de recolher, tudo se tornou mais instável e arriscado. Dima, um voluntário na região de Zaporizhzhia, recorda uma das primeiras vezes em que participou de uma missão. «Eu dormia no chão de um escritório, perto de um bordel diante de uma base militar. Via sempre os mesmos homens entrando com as mesmas duas garotas, quarto após quarto, dia após dia. Eram como namoradas por hora, ou por dia. Os soldados eram proibidos de beber; então procuravam outra coisa. Fumar era uma coisa. Sexo, outra.» Depois se detém no detalhe mais físico: «Eu não conseguia dormir. Ouvia tudo. Os ruídos estavam por toda parte. Cada quarto estava cheio de respirações, grunhidos, gemidos. E, quando as garotas saíam, estavam exaustas. Dava para ver que aqueles soldados descarregavam sobre elas todo o estresse, toda a frustração.» Dima continua: «Há um segredo que quem trabalha no front conhece muito bem, mas sobre o qual quase não se fala: as prostitutas estão por toda parte. Todo mundo sabe. Todo mundo sabe que os soldados vão com elas. Todo mundo sabe que são sempre as mesmas mulheres circulando entre os mesmos homens. Mas isso permanece sob a superfície, como se não fizesse parte da guerra.» E então um detalhe que explica mais do que mil palavras: «Na Ucrânia, como na Rússia, ainda existe uma espécie de estigma contra os preservativos. São pouco usados, muito pouco. E, no front, isso se torna um problema enorme.»

A partir daí, seu relato passa quase naturalmente ao contágio. «As infecções sexualmente transmissíveis circulam muito mais do que se diz. Os mesmos soldados ficam com as mesmas mulheres, muitas vezes sem proteção, e depois carregam tudo consigo, para lá e para cá.» Em sua lista aparecem HIV, hepatites, sífilis, gonorreia. A parte mais inquietante de seu relato diz respeito à relação entre a guerra e as condições de tratamento. «Quando você tem homens feridos, sangue, hospitais de campanha, postos improvisados de estabilização e, além disso, relações sem proteção e quase nenhum exame regular, o risco aumenta. Não é apenas uma questão de sexo. É todo o contexto que faz com que as infecções circulem mais e sejam levadas a sério tarde demais.» Insiste: «Todo mundo sabe que isso acontece. Mas quase ninguém fala realmente sobre isso.»

 

Retrato de Maria, 2011. Fotografia de Brent Stirton.

 

No Donbass, no verão de 2022, os correspondentes dos jornais que cobriam o front muitas vezes dormiam no motel Man, em Druzhivka, perto de Kramatorsk. O Man era um ponto de encontro de jornalistas e militares. Uma noite, ali, Makia, uma prostituta que atendia os soldados, durante um apagão, à luz de velas e depois de muita cerveja, contou sua história. Todos a conheciam. Ela também usava drogas. Heroína. «Fico com os militares porque eles pagam. Senão, com quem eu deveria ficar?» Depois, quase com cansaço, acrescentou: «Eu me drogo para aguentar. Senão não consigo. Se tivesse que sentir tudo, não conseguiria fazer nada.» O Man foi destruído pelos ataques russos, Druzhivka deslizou para a zona cinzenta: escombros e drones. Ninguém mais tem notícias de Makia. Nenhuma contagem de vítimas jamais a levará em consideração, nem a militar nem a civil. Como um fantasma. E fantasmas se tornaram também os casais que se abraçavam na estação de Kramatorsk. À plataforma chegavam as companheiras dos militares de licença e, junto com elas, havia muitas garotas em busca de um homem, de um cliente. Era um daqueles lugares onde a espera, o desejo, o sexo e a morte se tocavam sem nunca se declararem abertamente. Hoje já não há ninguém naquela plataforma. A estação está fechada e muitos soldados nunca mais voltaram para casa. Nas escadas da passarela perto do motel Man há um cadáver que ninguém retira por medo dos drones.

Seja real ou imaginado, na guerra o corpo das mulheres também é usado como isca, cobertura, acesso. Uma reportagem da «Atlantic» conta que, nas zonas ocupadas, parte da resistência ucraniana explora os apetites masculinos dos soldados russos e chechenos, sua convicção de que uma mulher é menos suspeita, mais facilmente reduzida ao papel de interlocutora sentimental ou sexual. Em um dos casos, um comandante checheno foi induzido por uma falsa interlocutora ucraniana a enviar uma fotografia tirada dentro do quartel; ao fundo da imagem havia um mapa. Poucos dias depois, o local foi atingido por um drone. Por trás daquela mulher estava uma oficial da inteligência militar ucraniana.

Nas zonas sob controle russo, elas constituem a espinha dorsal da resistência, justamente porque podem circular onde os homens despertariam suspeitas; trabalhar em clínicas, escolas, escritórios; explorar o preconceito russo que não as imagina como combatentes. Um partisan ucraniano, comentando um antigo manual da CIA sobre técnicas de catfishing (a criação de identidades falsas a partir de dados disponíveis on-line), diz, referindo-se aos americanos, com brutalidade irônica: «Vocês, filhos da puta, sabem mesmo como usar o sexo.»

Na realidade, a honey trap, a armadilha do mel, é uma «invenção» dos serviços secretos soviéticos, em cuja escola muitos oficiais ucranianos foram formados. Em 2023, a blogueira de Kiev e ex-escort Ksusha Maneken recebeu uma condecoração da Direção de Inteligência Militar da Ucrânia, o GUR, por sua contribuição à chamada «frente informativa». Quem o afirmou foi o próprio porta-voz da agência, Andriy Yusov, que esclareceu que sua ajuda havia sido importante, embora não dissesse respeito a atividades de agente no sentido estrito. O episódio provocou polêmica, sobretudo porque não se sabe o que Ksusha fez para merecer uma medalha, mas demonstra que, na guerra, até figuras provenientes do mercado do sexo podem ser reincorporadas à narrativa patriótica.

Essa transformação não surge do nada. Muito antes de a Ucrânia se tornar o grande palco europeu da destruição, o corpo de suas mulheres já era um território simbólico disputado. No imaginário ocidental, o país aparecia muitas vezes como uma periferia branca e disponível, de onde vinham cuidadoras, noivas, modelos, escorts... uma geografia do desejo e da desigualdade. Não por acaso, o documentário de Kitty Green sobre as Femen, lançado em 2013, intitulava-se Ukraine Is Not a Brothel (A Ucrânia não é um bordel). O filme acompanhava por dentro o movimento nascido em Kiev, seus protestos de seios nus na Khreshchatyk, a principal avenida da capital, o uso do corpo como linguagem política, mas sobretudo seu paradoxo: para contestar a redução das mulheres ucranianas a mercadorias do turismo sexual ou a «noivas à venda», era preciso passar pela superfície erotizada do corpo feminino, sabotando-a por dentro.

A mesma tensão reaparece numa imagem de Brent Stirton, feita em 2011 em Kryvyi Rih. O fotógrafo sul-africano retrata Maria, trabalhadora sexual e dependente química, num interior despojado. A imagem ganharia o World Press Photo na categoria Contemporary Issues (Questões contemporâneas) e circularia amplamente, como se condensasse num rosto a ideia de uma região inteira: pobreza, dependência, abandono, feminilidade ferida. Mas a jornalista ucraniana Natalia Antonova escreveu um artigo no «Guardian» reivindicando a imagem de Maria não como o destroço moral de um país, mas como o retrato de uma pessoa altiva, serena, irredutível ao clichê. Antonova insistia que aquela foto não autorizava ninguém a dizer «eis a Ucrânia», muito menos «eis as ucranianas». Ao contrário, obrigava a enxergar uma pessoa singular justamente onde o olhar europeu procurava um tipo humano: a prostituta do Leste, a mulher disponível, o resíduo tóxico do pós-soviético.

Maria, como Sveta hoje, dizia não estar infectada. Uma afirmação em que poucos acreditavam, porque o HIV circulava e continua circulando. Às vésperas da invasão, a Unaids estimava que havia na Ucrânia 260 mil pessoas vivendo com HIV, das quais 152 mil em terapia antirretroviral; às vésperas da invasão, cerca de 100 mil pessoas com HIV viviam na linha de frente, entre elas 59 mil em tratamento. O sistema de saúde resistiu mais do que se poderia imaginar: os antirretrovirais foram redistribuídos, os estoques concentrados, as organizações da sociedade civil supriram as lacunas. Mas a zona cinzenta em que prostituição, dependência e vírus se alimentam mutuamente se ampliou. Depois de mais de quatro anos, não conhecemos os dados exatos sobre como o HIV continuou avançando sob as bombas. Sabemos que a guerra não se limita a matar hoje. Redistribui a intimidade, modifica o mercado do desejo, altera a topografia da dependência, transforma o HIV numa medida da coesão social. E nos obriga a ver o que acontece quando uma nação, marcada por trinta anos de transição pós-soviética, precisa defender não apenas seu território, mas também a continuidade biológica e moral dos mais frágeis.

Por nossa enviada a Kiev (Ucrânia), Marta Serafini.

O dia em que, em Manhattan, a história mudou para sempre

O dia em que, em Manhattan, a história mudou para sempre Por Marco Bardazzi

O 11 de Setembro, 25 anos depois: o horror explicado à geração Z. É preciso voltar aos anos 1980 para recompor as peças, que já estavam todas sobre a mesa

Em sintonia com os artistas: sobre In Minor Keys, na Bienal de Veneza

Em sintonia com os artistas: sobre In Minor Keys, na Bienal de Veneza Por Elvan Zabunyan

O início da estadia em Veneza e a visita à exposição In Minor Keys coincidem com o momento em que os meios de comunicação transmitem a chegada trágica a Ceuta de milhares de jovens vindo do Marrocos.

A cicatriz inexistente do woke

A cicatriz inexistente do woke Por Claudia Durastanti

Uma pessoa pode ser esmagada pelo Estado que deveria lhe garantir segurança, mas também pelo jornalismo e pelo mundo acadêmico, que se ocupam da representação da realidade e contribuem para dar a um cidadão a sensação de existir, de ter alguma importância. É preciso vigiar uns tanto quanto os outros.

O doce canto do demônio

O doce canto do demônio Por Francesca D’Aloja

Memória de uma música encantadora, nos limites do suave delírio. Chet Baker, o grande trompetista de jazz, tocou no meu jardim, em Sabaudia. Mas a heroína é apenas uma parte maldita da história

Os americanos e a bomba atômica de Hiroshima. Luzes sobre o horror

Os americanos e a bomba atômica de Hiroshima. Luzes sobre o horror Por Marco Bardazzi

A América sabia pouco sobre a bomba. Só descobriu o que realmente havia acontecido um ano depois, nas bancas, nas páginas de uma edição irrepetível da The New Yorker.

Memórias de Brodsky

Memórias de Brodsky Por Anatoly Naiman

Mesmo entre os russos mais bem informados, pouco mais se sabia, ou se sabe, sobre ele, e os poucos fatos de sua vida foram repisados tantas vezes por tantas pessoas diferentes, inclusive por algumas consideradas próximas a ele, que hoje é quase impossível separá-lo de sua própria lenda.

A esquerda consegue tolerar o dissenso?

A esquerda consegue tolerar o dissenso? Por Entrevista com Jay Lesoleil e Clementine Morrigan. Por Meagan Day.

Os apresentadores de F–king Cancelled dizem em voz alta aquilo que costuma permanecer implícito: uma esquerda que condena o dissenso interno é um beco sem saída para a democracia.

Por trás do antiwokismo, o fixismo social

Por trás do antiwokismo, o fixismo social Por Juliette Speranza

O clima político internacional vem fortalecendo a corrente do «antiwokismo». Esse discurso e essa mitologia antiminoritários pretendem se insurgir contra a loucura destrutiva de um esquerdismo desconstrucionista, de um decolonialismo vitimista e de um individualismo antidemocrático, partindo do pressuposto equivocado de que as minorias colocariam em risco a democracia e o universalismo. A verdadeira ameaça, ao contrário, é o fixismo social.

O último verão de Pollock

O último verão de Pollock Por Marco Bardazzi

Setenta anos atrás morria um gênio infeliz, convencido de que sua revolução havia terminado. Uma despedida violenta como sua vida

Todos invasores ou desesperados: os falsos mitos sobre os migrantes que cegam a política

Todos invasores ou desesperados: os falsos mitos sobre os migrantes... Por Francesca Mannocchi

Oscilamos entre a ameaça a ser repelida e a vítima a ser salva: no meio, permanece invisível a pessoa, que é desumanizada. O movimento não é um acidente do qual devemos nos defender, mas uma das formas pelas quais a história continua a se produzir.

O Irã depois da América

O Irã depois da América Por Vali Nasr, entrevista concedida a Jonathan Shainin

Como o Ocidente interpretou mal Teerã — e o que a República Islâmica fará em seguida

Irmãs desencontradas

Irmãs desencontradas Por Donatella Borghesi

O feminismo vive uma crise, dilacerado por um conflito geracional e político. O diálogo difícil e o amor esquecido. Uma reflexão.

Na cabeça de um cachorro

Na cabeça de um cachorro Por William Davies

Como sabem muito bem os pais de crianças pequenas, ser responsável por alguém incapaz de assumir responsabilidade por si mesmo é uma experiência exaustiva e estressante.

Por que algumas pessoas se tornam leitoras para sempre

Por que algumas pessoas se tornam leitoras para sempre Por Joe Pinsker

Muito depende da forma como os pais apresentam a leitura aos filhos.

«Homero não teria entendido nada da nossa má consciência». Conversa com Daniel Mendelsohn

«Homero não teria entendido nada da nossa má consciência». Conversa... Por Andrea Marcolongo e Guillaume Erner

O helenista mais elegante de Nova York assistiu à Odisseia de Nolan em IMAX e viu nela o espelho da nossa época.

O selo da artista

O selo da artista Por Michael Prodger

Na exposição da Tate Modern dedicada a Frida Kahlo, seu talento acaba se perdendo em meio a uma infinidade de obras inspiradas em seu mito.